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Lilith na História, Mitologia e Astrologia

Entenda o significado de Lilith na Astrologia e a mitologia que cerca o tema.

Por Astrolink em Astrologia básica

Modo claro

21 minutos de leitura

Na Astrologia moderna, Lilith é comumente associada ao lado obscuro da Lua e tem relação com a expressão dos nossos desejos mais profundos, escondidos e reprimidos.

Foi justamente por conta desta narrativa cheia de mistérios que a figura de Lilith passou a despertar a curiosidade e o interesse das pessoas. O mistério, aliás, sempre causou fascínio na humanidade, muitas vezes admitindo explicações que se sobrepõem à razão e ao pensamento crítico na busca pelo conhecimento.

O fascínio pelo mistério é uma das mais apreciadas "iguarias da Esfinge" (a guardiã simbólica do conhecimento na antiguidade e no mundo clássico) em sua proposta metafórica de nos encantar com lindas estórias e por mistérios difíceis de serem desvendados a ponto de causar encantamento, de nos enebriarmos com o doce encanto "do oculto, do que é mágico, sendo tais coisas um risco a ser levado em consideração enquanto avançamos na senda do conhecimento.

Mas você sabia que, para além do que se propaga por aí, o tema Lilith possui uma série de detalhes peculiares e muitas controvérsias? A verdade é que falar sobre Lilith na Astrologia ou na Astronomia não é uma tarefa simples.

A questão de Lilith na cultura moderna tem a ver com seu sincretismo com a Astrologia, que até hoje rende discussões calorosas entre os que se interessam pelo que é mágico e misterioso e os que investigam as raízes das coisas em busca de explicações por meio de estudos, no esforço (muitas vezes frustrante) para dialogar com o próprio Universo.

A busca pelo conhecimento, nesse sentido, não tem a ver com estar em meio a informações, falas, opiniões, achismos, notícias e fofocas. Assimilar o conhecimento correto exige esforço, dedicação, tempo, revisionismos constantes, métodos, cuidados, referências sólidas, verificabilidade, leituras intermináveis e muitas vezes exaustivas.

Onde há conhecimento não pode haver preguiça, pressa, impulsividade de conclusões e, em especial, uma entrega cega.

Neste artigo vamos falar sobre Lilith, mas já adiantamos que talvez a abordagem possa causar um pouco de frustração para quem tem expectativas relacionadas ao desejo mágico de entender as influências de Lilith. Nosso objetivo aqui é outro: incentivar a busca pelo mágico natural, que emerge da experiência com o próprio conhecimento - algo que sempre transcende e fascina dada a vastidão do Universo e nossas revelações graduais de seus segredos.

"O Domínio dos mistérios, nos revela as mais belas experiências"
- Albert Einstein

Boa leitura!

Lilith, Astronomia e mundo natural

Antes de falarmos especificamente de Lilith, é interessante voltarmos um pouco às origens e desenvolvimento da Astrologia e sua ligação com a Astronomia.

A Astronomia, Cosmologia e os saberes naturais são reflexo e aperfeiçoamento do estudo semiológico dos signos / sinais e suas lógicas, desenvolvido na Grécia.

Caldeus, há milhares de anos antes de Cristo, desenvolveram métodos e criaram tabelas para antever onde os astros estariam no futuro e onde estiveram no passado. Apesar de não entenderem bem a mecânica e matemática que envolviam seus movimentos, não aceitavam que os cálculos estivessem errados.

Estudiosos de História da Ciência revelam que os antigos desenvolveram um sistema de números especiais, chamados sexagesimais, para mapear as posições dos astros no céu. Esse avanço tinha como finalidade a Astrologia. Isso porque esses povos buscavam antecipar os eventos futuros com base na ordem celeste.

A questão é que, mesmo que muita gente - em especial ligada à pesquisa científica - duvide da Astrologia, rotulando-a como absurda, ninguém pode ignorar seu impacto ao longo da história.

A busca pelo conhecimento cósmico por meio da Astrologia impulsionou melhorias na Astronomia e no conhecimento do Universo. Desta forma, vê-se que mesmo entre os povos da Mesopotâmia, havia o rigor em se seguir os "sinais naturais" e se rejeitar sinais errados ou movimentos irreais.

Neste contexto, em meio ao uso da astrologia para predizer eventos em escala coletiva, surgiram os primeiros mapas astrológicos individuais (que conhecemos hoje como mapa astral pessoal), no século V antes de Cristo. Eles foram registrados em tábuas cuneiformes e possuem as posições dos astros durante o nascimento de dezenas de pessoas.

Aqui, é interessante notar que não se falava em Lilith, ou seja, os primeiros mapas astrológicos não contêm a posição de um suposto ponto chamado de "Lua Negra", ainda que as tradições babilônicas se refiram à Lilith como uma representação de um feminino instintivo - por vezes deformado e demonizado.

Lilith na Astrologia

Lilith em Livros dos pais históricos da Astrologia

Se levarmos em conta os textos mais influentes na Astrologia técnica que chegaram ao nosso tempo, veremos que Lilith não existe.

Autores como Ptolomeo (Tetrabiblos) ou mesmo Dorotheus de Sidon (Carmen Astrologicum), Vettius Vallens (Anthology), Placidus de Titis (Primum Mobile), Morin de Villefranche (Astrologia Gallica), William Lilly (Christian Astrology) e mesmo autores relativamente contemporâneos como Andre Barbault (El prognóstico experimental em Astrologia) ou Adolf Weiss (Astrologia Racional) não se referem à Lilith.

Nestes textos, que sinteticamente cobrem o helenismo grego, o renascimento, o pós-renascimento e parte da contemporaneidade, perfazendo quase 2 mil anos, não temos referencias objetivas à Lilith. Neles encontramos as fundamentações de signos, astros, aspectos, casas, métodos de predição e Astrologia mundial, geopolítica e histórica.

Podemos, então, nos perguntar: por que será que Lilith não aparece?

A resposta reside no fato de que tais autores sempre trabalharam com a integração da Astrologia a métodos mais seguros de pesquisa, fazendo seu conhecimento dialogar com outras áreas igualmente bem estudadas, como a Geometria, a Matemática e a Medicina, bem como as outras ciências naturais.

O conhecimento técnico portanto, utilizado por estes autores, não dialoga com textos mitológicos e metafísicos de fontes incertas.

O que - ou quem foi Lilith, afinal?

Para remontar a figura de Lilith, a Astrologia ocidental foi beber na fonte babilônica. A mitologia de Lilith chegou até nós por meio do contato com povos antigos que interagiam naquela região e foram os precursores do estudo da Astrologia. Foram essas civilizações ancestrais que passaram a cultuá-la, mas também a disseminar a sua essência demoníaca.

Lilith (no anglicismo) ou em hebraico: ‫לילית‬, do árabe: ‫يث‬ ‫ل‬ ‫ي‬ ‫ل‬, era considerada uma deusa ou demônio. Foi associada ao feminino, tornando-se idolatrada na Mesopotâmia e nos reinos da Babilônia.

Também era relacionada a naturezas atmosféricas caóticas, como vendavais e toda sorte de intempéries, assim como à morte e às doenças coletivas.

Essa deusa influenciou o judaísmo, indo parar no Talmude hebraico, quando o povo judaico se exilou. Ela é, portanto, citada nas antigas tradições hebraicas. Apesar disso, surgiu de fato dos pelasgos (um antigo povo pré-helênico que habitou as regiões da Grécia e do Mar Egeu antes da chegada dos gregos) e, claro, teve sua origem na Mesopotâmia, há 3 mil anos antes de Cristo, entre os Sumérios.

Lilith na Bíblia também pode ser associada à mulher criada em conjunto a Adão, referência que aparece no medievalismo, e ao demônio entre as culturas islâmicas.

Em uma reinterpretação medieval do século XIII, Lilith é apresentada como uma mulher que não obedece a Adão e não deseja subserviência e submissão. Nesse sentido, Lilith passa a ser ligada a um conceito de transgressão e rebeldia ao patriarcado.

Sua história remonta aos escritos de Nabucodonossor II e, desta forma, a imagem da mulher passa a ser descrita por um demônio.

Em outras interpretações, Lilith teria sido expulsa do paraíso por Deus por não se submeter a Adão e interpretada como a que então quer se vingar dos homens, dos adúlteros, dos recém-casados e das crianças.

Desta forma, Lilith segue sendo associada a uma imagem pervertida, distorcida, perigosa e carregada de destruição.

Entre os hebraicos, que viveram no cativeiro na Babilônia, o mito de Lilith era muito comum. Para esse povo, Lilith se alimentava da energia desprendida no ato sexual e de sangue humano, e era ligada também à luxuria e à perversão.

Na Espanha, com a proliferação do judaísmo místico, Lilith foi associada a um demônio feminino perigoso, podendo ser anulada pela ação de amuletos e conjuros protetores, como os descritos no Picatrix,  um antigo tratado de magia e astrologia de origem árabe.

Há também a adaptação da "Lilith da Babilônia", a interpretação da mulher-serpente ou da "Lilith e Inanna", deusa suméria da guerra e do prazer sexual.

Como resultado de tantas leituras, no mundo contemporâneo, Lilith geralmente é associada à mulher liberal e sexualmente livre.

imagem de uma mulher, associada à Lilith, como mulher livre

Quer saber como essas informações podem afetar sua vida?

Lilith na Bíblia e outras origens

Lilith é conhecida por ser a mulher mais antiga (e talvez a mais controversa do mundo). Teve sua figura decantada em verso e em prosa por vários livros sagrados, entre eles as escrituras apócrifas. Essa figura feminina traz o arquétipo da mulher que não se deixa dominar, e por isso, paga um alto preço pela sua insurgência a uma ordem social basicamente patriarcal.

Como vimos, reza a lenda que Lilith, teoricamente, foi a primeira mulher de Adão, porém, por ter um espírito inquieto e questionador, não aceitou ser submissa ao seu companheiro, já que ambos tinham sido feitos do mesmo material. Sendo assim, decidiu ir embora e viver por conta própria.

No entanto, a partir daí, Lilith passa a ser considerada um demônio ou uma divindade sombria, ligada às trevas ou a elementos obscuros. sendo exilada do paraíso e obrigada a viver nas profundezas das águas do mar, junto com os demônios com os quais mantinha relações sexuais.

Apesar de não ter seu nome mencionado explicitamente na Bíblia, Lilith aparece nas entrelinhas no livro de Gênesis, capítulo 2, que afirma que Deus criou outra mulher, que seria Eva, abrindo margem para especulações no que diz respeito à existência de uma primeira mulher - no caso, Lilith - que teve o nome banido devido sua rebeldia.

Assim, formou-se um contraponto entre Eva e Lilith, em que a primeira representa a mulher feita a partir da costela do homem para viver sob a tutela masculina; e a segunda, a mulher que não aceita um papel menor por conta de sua condição feminina e, por isso, questiona o criador com veemência e rejeita a submissão, inclusive não aceitando ficar embaixo de Adão durante a relação sexual.

O ponto é que a figura mítica de Lilith remonta a um passado cultural e histórico em que é atribuída à mulher uma essência diabólica, principalmente àquelas que ousam desafiar os homens, seja fisicamente, seja no campo das ideias. Essas mulheres demonstram-se mais sábias e oferecem uma ameaça intelectual, formando um arquétipo sombrio que se perpetua ao longo do tempo e em várias sociedades.

Tanto a mitologia babilônica quanto a mesopotâmica descrevem Lilith como um demônio associado às trevas e ao lado feminino, fazendo referência a episódios de destruição e ligados à morte.

Na mitologia Suméria, Lilith também é apresentada como um demônio, só que de uma maneira diferente. Ela ganha forma de ventos com forte poder de destruição, tendo como maior símbolo de representação a Lua, de onde posteriormente ganharia a conotação de Lua Negra.

Em muitas épocas, a imagem da mulher como demônio ou símbolo de tentação foi usada pelo senso comum para levar muitas mulheres para fogueira. Ao longo do tempo, essa justificativa encontrou ressonância, principalmente, no cerne da sociedade medieval, que tecia muito de suas crenças através da mitologia, principalmente na fase mais obscura da Igreja Católica, com seus tribunais de inquisição que acusavam muitas mulheres de bruxaria.

Além dessas citadas, a mitologia grega também se apropria dessa representação e a compara com Hécate, a deusa grega responsável por guardar a porta do inferno. É dela que dela deriva a palavra hecatombe em nosso idioma, que significa "sacrifício de cem bois", ou massacre grandioso, mortandade.

Polêmicas sobre Lilith

É inegável a existência de muitos ruídos no estudo de um mito de mais 3 mil anos, atravessado por diversos sincretismos multiculturais e que tem relação com o misticismo medieval. E é assim que Lilith ingressa em um sincretismo astrológico, que combina a interpretação do judaísmo de uma entidade Suméria/ Mesopotâmia, criada pelo imaginário, mas que nunca esteve presente na Astrologia da Mesopotâmia.

O primeiro ponto de ruído é que Lilith não é uma Lua Negra propriamente dita. Não existe (até onde sabemos) uma segunda Lua na Terra. Então, o uso do termo Lua Negra é incorreto e fere outros conhecimentos, como a Física e a Astronomia.

Além disso, há uma divergência nas chamadas posições de Lilith, que variam historicamente. Muitos livros sobre este assunto apontam posições diferentes deste movimento. Assim, muitas obras europeias de esoterismo não só não definem Lilith como corpo natural e astronômico como os demais astros, como também não possuem consenso sobre isso.

Para tentar resolver este problema, alguns astrólogos começaram a definir Lilith como o apogeu lunar. Apesar de nem todos concordarem com isso, esse foi o modo encontrado para que Lilith finalmente tivesse um movimento astronômico para chamar de seu. Vale pontuar que esta demarcação é recente e, portanto, passível de observação.

Astrologicamente, até podemos traçar um paralelo entre essa história do exílio de Lilith e o apogeu da Lua, que é quando o satélite natural está mais distante da Terra, como se também tivesse sido exilado do nosso sistema solar.

Outro ponto relevante é que a maioria dos astrólogos profissionais de formação mais robusta não usam Lilith em suas delineações, justamente por seu obscurantismo e deformidade histórica. Da mesma forma, os pais históricos das técnicas funcionais da Astrologia não a sincretizavam com crenças, rituais ou práticas mágicas, apenas utilizavam a cinemática natural e outros processos cosmológicos.

Como vimos, Lilith está relacionada à descrição de aspectos do feminino, que depois foram distorcidas, demonizadas e sincretizadas em uma mistura disforme que envolve crenças babilônicas, adaptações helenísticas, demonizações cristãs, percepções de bruxaria medieval, judaísmo esotérico para se dizer o mínimo.

Ou seja: Lilith não é um astro, portanto, qualquer tentativa de associação para se tentar vinculá-la à Cosmologia, Astronomia e Astrologia será muito sensível e pouco confiável.

Desta forma, é recomendado sempre irmos com calma para não nos deixarmos encantar pelo mistério inebriante nos diversos tipos de interpretação astrológica que possamos ter, tentando sempre saber onde estamos pisando.

Lilith no Mapa Astral

Lilith na astrologia e mapa astral

O objetivo das breves reflexões que você acompanhou até aqui não é perseguir, atacar, demonizar ou fazer uma espécie de inquisição sobre as interpretações de Lilith e seus significados. O conhecimento tem várias facetas e uma delas é exatamente a faceta do mágico artificial. Ela faz parte do processo que envolve as discussões sobre como dialogar com o ambiente com o qual estamos interagindo, seja ele de questões internas ou da sociedade a qual pertencemos.

Entretanto, a consciência do que pode estar por trás da busca por este mágico artificial é importante - e é justamente ela que queremos estimular.

Nas linhas abaixo você terá acesso ao significado de Lilith na Astrologia. Sabendo que Lilith não é um conceito aceito por todos os astrólogos ou ordens esotéricas – sendo um ponto relegado a um oceano de dúvidas, lendas e informações diversas ao longo do tempo – cabe a você entender e avaliar a validade dessas informações.

Vamos começar falando sobre o glifo de Lilith no Mapa Astral: uma Lua Negra com uma cruz embaixo .

Como a Lua na Astrologia tem um papel importante e interage com a nossa sensibilidade e nossas emoções, se alinha com essa correspondência contemporânea de Lilith no Mapa Astral e aos possíveis sentimentos provocados pela pressão de Lilith, como solidão, tristeza e opressão.

Os adeptos da interpretaçãod e Lilith no Mapa Astral defendem que ela pode trazer influências sensíveis, que devem ser analisadas sob a ótica dos signos e casas onde está posicionada.

Na Astronomia, Lilith foi tida como um corpo celeste invisível que transita em torno da Lua, o que sabemos até o momento ser muito difícil de existir.

Como mitologicamente Lilith era insaciável e buscava sempre satisfazer seus desejos mais impetuosos, sua presença no mapa é atrelada a temas como compulsão sexual, perversões e algumas derivações obsessivas.

Astrólogos contemporâneos de cunho mais psicológico relacionam Lilith no Mapa Astral a características muito fortes, muitas vezes imbuídas de negatividade, justamente por representar parte do lado obscuro e sombrio do indivíduo. Assim, conhecer a posição em que Lilith se encontra em nosso Mapa Astral, dizem, significaria obter conhecimento a respeito de possíveis bloqueios, pressões ou insatisfações com os quais temos que eventualmente lidar.

É como se houvesse, naquele ponto específico do Mapa Astral, grande insatisfação ou compulsão. É onde queremos ter uma liberdade diferenciada e realizar nossas vontades, onde não admitimos que desejos sejam negados. É entendido, então, que seria preciso controlar essa energia para que não se torne destrutiva.

Lilith no Mapa Astral - pressão

As características de Lilith: positivas ou negativas?

Como qualquer aspecto do Mapa Astral, é dito por aqueles que trazem este ponto para suas análises astrológicas, que Lilith traz influências que podem ser vistas de diversas formas, como:

Lado positivo: forte energia feminina que não aceita passivamente ser oprimida. Quer que sua voz seja ouvida, quer ser reconhecida e de certa forma, contemporaneamente, tem bastante a ver com o feminismo. Pode ajudar a pessoa a entender nuances da sua sexualidade assim como a se sentir mais independente e segura.

Lado negativo: aflora os temores da pessoa, traz à tona inseguranças e frustrações por conta de desejos reprimidos. Pode indicar obsessões e tendências sexuais mais complexas, promiscuidade e outras questões. É onde a pessoa pode se sentir mais rejeitada e vingativa, assim como mais intransigente, possessiva ou insaciável.

Em teoria, Lilith tem relação com questões ligadas ao nosso lado inconsciente, por isso, é interessante termos conhecimento sobre elas para lidarmos positivamente com suas decorrências.

Embora possam parecer problemáticas à primeira vista (pois estão ocultas, "na sombra"), essas questões ganham um novo prisma quando jogamos luz em cima delas. Dessa forma, Lilith contribui com mais um pedaço do grande quebra-cabeças do autoconhecimento que é o Mapa Astral.

É onde também podemos exercer certo fascínio sobre os outros. Se analisada junto com os astros em que forme uma conjunção, por exemplo, quando a pessoa age nos termos daquele astro, tende a atrair atenção positiva. Só que quando esse possível fascínio é ativado, podemos atrair inveja e ter nossas energias vitais drenadas.

É também um local do mapa onde nada nos supre, gerando com isso a possibilidade de uma compulsão estilo "saco sem fundo", onde temos uma maior necessidade de ficar alimentando aqueles temas com frequência para sentir um maior contentamento.

O ideal é analisar a Lilith no mapa levando em conta em que signo e casa onde está posicionada, além de possíveis aspectos com outros planetas. Com isso, podemos ter indicações e entendimentos sobre certos comportamentos e acontecimentos, até mesmo, inconscientes, e como utilizar de maneira positiva essa força que, ao mesmo tempo em que é controversa, é fonte de atração e traz uma tremenda energia para todos nós.

Lilith na astrologia Védica

Além da Astrologia ocidental moderna, Lilith é utilizada também na Astrologia védica. Porém, neste caso, ela aparece com várias denominações, já que a cultura védica se apoia na reencarnação. Sendo assim, o princípio reencarnatório se aplicaria também aos deuses, e por isso, é comum que uma mesma divindade tenha vários nomes.

No caso de Lilith, ela seria conhecida também como Rudrani, a esposa de Rudra (ou Shiva). Ambos são deuses muito antigos, que precedem a própria criação humana.

Uma das explicações sobre o surgimento dessas entidades é que ambos foram criados por Brahma, o Deus da criação hindu. Primeiro veio Rudra, um ser hermafrodita e violento. A partir da determinação de Brahma, houve a separação do homem e da mulher, e com isso surgiu Rudrani, a versão feminina de Rudra, sendo ela dona de uma personalidade ainda mais feroz.

Rudrani era uma deusa que necessitava de liberdade total e a sua força destruidora só poderia ser amenizada quando Rudra se submetia às suas vontades, até mesmo no ato sexua, em que ela o dominava, ficando sempre por cima. No momento em que foram separados, passaram viver em locais de exata oposição no céu.

Todavia, na Astrologia védica, há outra compreensão sobre Lilith, em que ela é interpretada como sendo a morte. Neste caso, a compreensão da morte pode ser algo mais amplo, pois pode representar o fim de um ciclo, de algo que precisa morrer para que outras perspectivas floresçam. Portanto, a Lilith virá para encerrar uma situação, mas geralmente de formas não muito tranquilas.

Lilith verdadeira, Lilith Asteroide e a Lua Fantasma

Como já vimos, Lilith está presente tanto na Astrologia ocidental moderna quanto na Astrologia Védica. Nesta última, devido às inúmeras reencarnações, assume o nome de Rudrani, Kali, Durga, Nyrder, etc. Porém, a sua presença no Mapa Astral sempre marca uma energia catalisadora, com características caóticas.

O ponto de marcação mais aceito e que consta nas efemérides é a chamada Lua Negra. Em alguns momentos do mês, nosso satélite natural, a Lua, está mais afastado de nosso planeta, sendo o apogeu o ponto mais distante. Como explicado, em determinado momento, muitos astrólogos utilizaram esse ponto focal para marcar Lilith no mapa e também consideram essa como sua presença mais marcante, relacionando o apogeu da Lua com o exílio de Lilith.

Também existem algumas variações. A primeira é geralmente chamada de "Lua Média". A outra variante é a chamada "Lua Verdadeira", que diz que a lua orbita em torno do baricentro, ou seja, do núcleo da Terra.

A explicação para essa Lilith ser chamada de "verdadeira" pode ser um pouco complexa, mas vamos tentar simplificar. A Terra faz o movimento de rotação (em torno de seu próprio eixo, com duração de 24 horas) e o de translação (em torno do sol, com duração 1 ano). Porém, há outro movimento, chamado de oscilante (ou precessão dos equinócios, como se fosse um bambolê girando). Assim, o planeta oscila em um determinado período, mudando 1 grau a cada 72 anos. Dessa forma, é necessário fazer um ajuste nessa variação do eixo de rotação. Observar a órbita em torno do núcleo seria um cálculo mais preciso, considerando essa variação. Por isso, a "Lilith Verdadeira" também é chamada de "Lilith Oscilante", pois utiliza mais esse movimento terrestre para calcular seu ponto.

Existem ainda outras vertentes que podem servir de base para calcular a localização da Lilith em um mapa: Lilith Asteroide e Lilith Lua Fantasma. Elas também completam as simbologias mitológicas de Lilith, ou seja, contam sua história.

Lilith Asteroide - A única representação física de Lilith (as outras são pontos virtuais), já que se trata de um asteroide descoberto em 1927. Quando esta face de Lilith se pronuncia no mapa, é dito que acentua um constrangimento em uma determinada área da vida, como bullying que acarretou ressentimentos e traumas. É quando Lilith decide romper com a opressão e foge, se exilando.

Lilith, a Lua Fantasma - A outra forma de Lilith, talvez a mais controversa, é a Lua Fantasma (Waldemath ou Sepharial). Enquanto no Asteroide Lilith temos a presença do constrangimento, da humilhação e do bullying, a Lua Fantasma manifesta a energia da vingança e da retaliação. Lilith está em seu isolamento, sofrendo toda sua dor e suas emoções mais íntimas, como o desejo de vingança e outros sentimentos obscuros.


Com tudo isso, podemos dizer que concluímos nossa órbita completa em torno deste assunto, em direção a uma melhor conclusão do quanto ele é complexo, sensível e incerto. Desta forma, é aconselhado então cautela e parcimônia em sua utilização astrológica, junto com a reflexão de que valeu a pena conhecer sua história para fins de conhecimento e base.

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terça-feira, 23 de abril de 2024 | 00:50