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Reflexões importantes sobre Astrologia e Planetas Retrógrados

O tênue limiar que marca o campo das interpretações e das meras associações simplórias

Por Astrolink em Astrologia básica

Modo claro

23 minutos de leitura

Na astrologia, existem alguns temas que são polêmicos, principalmente entre estudiosos, mas também entre curiosos e entusiastas do assunto. Planetas Retrógrados é um destes temas e se por um lado despertam o interesse e a curiosidade de leigos que se interessam pelo assunto, por outro, geram inquietação em quem de fato se dedica ao estudo da Astrologia.

Entre os motivos que geram certo inconformismo de estudiosos do tema estão inconsistências nas abordagens, as analogias e inferências incompletas além de uma certa ausência de verificabilidades.

Este texto é um convite profundo a reflexões importantes sobre Astrologia e Planetas Retrógrados. Nas próximas linhas você encontra um pouco de história, lógica, semiótica, reflexões, questionamentos e, acima de tudo, um chamado ao aprofundamento e ao revisionismo em seus estudos. Boa leitura!

Planetas retrógrados, interpretações e associações

Historicamente, nos estudos de Astrologia, não existem objeções severas quanto à validade das pesquisas relacionadas aos movimentos de um astro e sua relação com as observações feitas em interpretações astrológicas, seja em uma análise de astrologia mundial ou psicológica.

Em outras palavras, não é recriminada a prática de interpretações astrológicas que associam os movimentos de um astro a determinados fatos historicamente observados no cotidiano.

Porém, quem se interessa e pesquisa o assunto deve ficar alerta para não cruzar o tênue limiar que marca o campo das interpretações e das meras associações simplórias.

É preciso assumir que todo assunto, ainda que seja popular e comentado por muitas pessoas, não necessariamente possui bases estudadas ou confiáveis.

Menina olhando o espaço com uma luneta

Por exemplo: você já ouviu dizer que manga com leite faz mal alguma vez na vida, certo? Ou que brasileiros possuem um talento especial para jogar futebol. Por mais essas falas sejam populares e bastante conhecidas, não possuem tanto embasamento ou verificabilidade. Por este motivo, propagam conceitos confusos, replicados em uma espécie de "telefone sem fio".

Estes jargões ou "afirmativas" estão enraizados em nossa sociedade e permeiam todas as áreas do conhecimento. De fato, é algo presente na comunicação humana: o conflito entre o que é estudado e técnico e o que é popularizado; entre conceitos e conteúdos que se aprendem na universidade de medicina e práticas que são transferidas de geração em geração...

Neste campo, é constante o conflito entre as forças afetivas, a pressão familiar, do superego social e aquilo compreendemos por meio de estudos e verificações, sejam elas coletivas ou subjetivas.

Na Astrologia, essa dualidade se repete. Por ser um conhecimento muito antigo - e de certa forma polêmico através das Eras -, o estudo da influência dos astros na vida cotidiana e nos acontecimentos terrestres desperta a atenção e o interesse de profissionais sérios e comprometidos, mas também de pessoas que se valem da popularidade do tempo por conveniência ou curiosidade.

Sobre astrólogos, "astrólogos", Astrologia, "astrologia" e informação

Uma das várias formas do que se diz ser Astrologia é a que foi propagada e envolvida pela aura do misticismo europeu. Muitas pessoas costumam popularmente dar ao astrólogo ou àquilo que se diz ser astrologia um status de verdade inquestionável.

De certa maneira, esta crença esteve presente durante o império romano, onde imperadores se cercavam de astrólogos como alto conselheiros. Também não foi diferente com os reis da França no pós renascimento, ou mesmo em Portugal, nas chamadas "Predições Astrológicas Nacionalistas e Sebastianistas", bem como utilizar-se da suposta astrologia e dos astrólogos como propaganda falsa astrológica motivada pela crença cega das pessoas como arma conhecida como "guerra de informação", como aconteceu na segunda grande guerra mundial nas propagandas nazistas e da resistência europeia.

Como se sabe, a primeira coisa que é morta em uma guerra é a verdade. Todas as escolas de guerras conhecem o poder da desinformação, ou da informação conveniente, para motivar um povo a continuar obedecendo cegamente os dirigentes do processo.

Historicamente, a falsa astrologia ou mesmo os astrólogos convenientes foram usados como instrumento para este fim em muitas ocasiões. Claro que não somente astrólogos são usados para isto e sim, todo tipo de pessoa que exerce alguma influência sobre a opinião pública.

Assim, o peso da fala de uma pessoa que se diz astrólogo tem quase o mesmo peso de um "vidente poderoso" e pode ser muito mais ostensivo do que as falas de analista ou psicólogo para muitas pessoas.

Astrólogos sérios são de fato apenas seres humanos que estudam este assunto, procurando entender seus princípios, fazendo revisionismos constantes, lendo e relendo centenas de obras escritas desde as tábuas cuneiformes aos papiros gregos, islâmicos, renascentistas e pós renascentistas, estatísticos, astronômicos, históricos e psicológicos para oferecer uma apresentação e uma discussão que possa ser verificável, catalogável e por fim, de valor.

Pessoa fazendo mapa astral

Portanto, os mais cuidadosos estão em constante aprendizado como qualquer outro pensador. Não precisam ser dotados de "dons místicos especiais", pois isto não é necessário para seu estudo e prática. A própria matéria da astrologia está cheia de argumentos válidos, mas outros que se mostraram frágeis e inconsistentes.

Michel Gauquelin, o psicólogo francês que se envolveu em uma imensa pesquisa estatística sobre a astrologia, em um de seus livros de nome "Rêves et illusions d´astrologie (sonhos e ilusões da Astrologia)", mostra aspectos interessantes que nos ajudam a separar os estudiosos sérios dos apenas midiáticos, por exemplo.

Ele nos fala que astrólogos que se gabam em ser "astrólogos das personalidades", ou "terem feito predições de desgraças coletivas", ou mesmo por estarem sempre na mídia a explorar o medo ou o assunto do momento, em geral estão buscando fama e protagonismo acima do verdadeiro estudo da astrologia.

Mesmo Carl Sagan e o atual Neil deGrasse Tyson, que se tornaram populares por seus trabalhos de divulgação da astronomia nas séries "COSMOS", se esmeraram e se esmeram em colocar o conhecimento técnico de suas áreas acima de suas personalidades ou os interesses da audiência pelo mistério ou o mágico, muitas vezes mais palatável e condizente com o que todos estão falando na mídia.

Ocupam-se em divulgar o que existe de mais seguro naquele momento sobre as matérias que dominam, mesmo que tivesse (Sagan) e tenha (Neil) opiniões divergentes sobre o que seja a Astrologia.

Quer saber como essas informações podem afetar sua vida?

Resistências naturais e projeções freudianas

Um dos assuntos polêmicos que podemos tratar neste artigo se refere a "Mercúrio Retrógrado". Tema presente constantemente em diversos locais da atualidade, este assunto se tornou comum na sociedade. Basta algo dar errado, um telefonema, um erro de endereço, um atraso, um contrato mal costurado, uma discussão afetiva, e lá vem a frase: "isto é por causa do Mercúrio Retrógrado!" ou "Mercúrio deve estar retrógrado...".

Este jargão tornou-se muito comum, mas como uma forma de desculpa para que as coisas não estejam acontecendo da forma como gostaríamos.

O abuso generalizado disto se tornou tão comum que, muitas pessoas de bom senso, mesmo sem entender sobre o assunto, criassem a frase de contra-feitiço: "nem tudo é culpa do Mercúrio retrógrado!" como uma forma de dizer: "calma lá! Deve haver algum exagero nisto, não é possível!".

É um reflexo claro da reação à possibilidade da banalização do tema.

Camisetas e canecas entre outros objetos começaram a ser produzidos com esta [brilhante]: "Nem tudo é culpa do Mercúrio retrógrado!". Ela representa a resistência ao abuso e um apelo ao bom senso das pessoas.

Pessoa segunda chaveiro de globo terrestre

Freud talvez não teria imaginado que as projeções e transferências neuróticas de nossas fragilidades pessoais chegasse aos astros. Fica evidente que algum exagero pode estar envolvido e sair compartilhando tudo que se fala à respeito, às cegas, pode ser um tanto precipitado.

De maneira geral, refletir sobre o que propagamos sem embasamento - e nisso incluímos as influências de Mercúrio retrógrado - pode representar avanço ou revisionismo daquilo que acreditamos "só porque todos falam".

Para ilustrar, vamos citar aqui uma história curiosa, protagonizada por um astrólogo que não acreditava no que se dizia sobre Mercúrio retrógrado. Porém, quando questionado sobre o porquê de não fazer previsões considerando este período, dizia em tom de brincadeira: "Não gosto de falar sobre Mercúrio, pois dá azar! Todos os que tentam, nada acontece de fato e acabam sendo desacreditados. Deve ser culpa do próprio Mercúrio retrógrado!".

Um pouco de Lógica, Semiótica e Cosmologia

Analogias são construídas sobre a lógica dos sinais envolvidos. Sinais ou signos podem ser qualquer coisa que de alguma forma nos forneça um impressão.

A lógica aristotélica - ou de pensadores gregos -, por exemplo, nos ajuda a melhor entender a interpretação de um signo ou sinal.

Dois sinais que aconteçam simultaneamente possuem um significado: aconteceram ao mesmo tempo e portanto são historiográficos. Para registros de datação, eles são muito funcionais. Entretanto, se não se repetem, são somente eventuais e historiográficos.

Um rei que ganhou uma guerra enquanto Vênus brilhava no céu pode ser meramente um registro de signos ou sinais simultâneos importantes para a datação, por exemplo.

Agora, se dois sinais acontecem repetidamente, como fogo / fumaça, dizemos que, além de historiográficos, eles são cosmológicos, ou seja, sempre aparecem geralmente juntos.

Neste caso, se unem por analogia, ou seja, ambos tendem a estar juntos a ponto de se dizer: "onde existe fumaça, há fogo!".

Da mesma forma, os sinais analógicos são construídos com um rigor de manifestação de princípios da natureza observáveis. Assim, os sinais analógicos podem ser estabelecidos e interpretados.

Por exemplo, Sol / dia claro - ou seja, se está claro, o Sol está acima do horizonte, mesmo que seja possível vê-lo no momento.

Existe uma relação lógica de sinais - ou signos - agregados por observação ou repetição de sinais simultâneos. Febre / doença; fumar / maior dificuldade para respirar; jogar pedra para o alto / ela teimar em cair, e por aí vai...

A interpretação, portanto, é construída por meio de uma lógica de sinais-signos embasada pela repetição.

Astrologia e os mecanismos de repetição do universo

A língua, por sua vez, é um conjunto de sinais. Mas como discutido amplamente por Aristóteles, nem sempre as palavras guardam sentidos analógicos.

A palavra sinal/signo manga pode ser uma fruta ou parte de um vestuário, por exemplo. Não se pode estabelecer que a manga fruta e a parte do vestuário tenham uma relação lógica apenas pelo fato de terem a mesma grafia e fonética.

Da mesma forma, não necessariamente tudo que é vermelho é regido por Marte, porque Marte é vermelho; ou que todas as pessoas do signo de Câncer gostam de morar na praia; ou que uma bateria de automóveis de nome Saturno seja mais durável que outra de nome Netuno, porque tudo que se chama Saturno, é regido por Saturno.

Analogias por palavras são bastante arriscadas.

A retrogradação e o risco das analogias

Na Astrologia, um exemplo clássico sobre o uso incorreto das analogias é a retrogradação. O termo, usado para se referir aos momentos em que um astro parece andar para trás, geralmente é associado a recomendações de revisão, ou retorno, ou tem ainda interpretações mais metafísicas como, relacionadas a vidas passadas.

Importante lembrar que analogias na concepção cosmológica significam semelhanças de sentido e não de forma, ou seja, o que sincroniza, aproxima, decorre no envolvimento de dois signos ou sinais.

Além disso, temos o problema da verificabilidade, fundamental quando se deseja maior segurança na afirmação.

Levar em conta estas objeções e pensar à respeito é uma forma zelosa de nos relacionarmos com a "esfinge do mistério", que como metáfora nos devora quando não estamos preparados para entendê-la e viramos reféns de nossa ignorância.

Em qualquer área de conhecimento, as objeções são sempre bem-vindas, pois ajudam a entender melhor os limites e problemáticas do que estamos fazendo e, assim, crescermos em qualidade de estudo e fundamentação.

O Movimento retrógrado em Astrologia

Zodíaco e Ponto Vernal, sempre retrógrados

Astros retrógrados - ou movimentos cinemáticos retrógrados - não são exclusividades de trânsitos astrológicos ou posições em mapas de nascimento (mapa astral).

Como podemos ver neste artigo sobre Planetas Retrógrados, o Zodíaco e o ponto vernal como um todo estão constantemente em estado retrógrado em relação ao espaço profundo e ao sentido DIRETO conceituado.

Isto sugere algumas reflexões:

Se o Zodíaco esta retrógrado, todos os signos caminham para trás?

Homem caminhando no deserto

O que isto poderia significar? Que todos os signos estão em constante processo de revisionismo? A humanidade estaria revendo o quê? O que significaria andar sempre para trás?

Em que medida isto nos faz pensar sobre os movimentos retrógrados?

Se usarmos a imaginação, poderemos pensar muitas coisas, mas cairíamos no correto argumento de que imaginar, neste caso, pode ser arriscado. Em outras palavras, dizer "se os fatos não batem com meu modelo, pior para os fatos!" é o mesmo que arrumar quantos argumentos forem necessários para justificar um modelo que não possui verificabilidade.

Poucos comentam sobre este fato, mas ele está na base da organização lógica da Astrologia. Estrelas, como um todo, se movimentam no sentido direto durante os períodos de precessão. Elas nunca retrogradam!

Se não retrogradam, o que isso significaria?

Se a tese que defende que astros retrógrados pedem constantes refações e revisionismos, indicando impedimentos, dificuldades, adversidades, maus augúrios, etc. é válida para Mercúrio ou Vênus, por exemplo, porque não funciona para os demais astros, como as estrelas?

Desta forma, teríamos de nos perguntar:

  • As estrelas não sofrem revisionismos se as usamos em Astrologia?
  • Aprendemos de cara suas naturezas e não precisamos reaprendê-las ou revisá-las?
  • Não existem períodos de impedimentos com as estrelas, já que não retrogradam em curtos espaços de tempo?
  • Por que astrólogos não interpretam estrelas assim?

Sol e Lua também nunca retrogradam!

Tendo como base essa linha de reflexão, como explicamos o fato de que o Sol e a Lua nunca terão tempos de retrogradação? Vemos como regências, ascendentes e aspectos utilizam-se da Astronomia para os cálculos corretos e funcionam para qualquer mapa, local ou método.

Não teremos impedimentos, revisionismos, no caso dos luminares? A Lua, por exemplo, nunca fica retrógrada. Isso significa que nunca teremos de rever nossos mecanismos de defesa ou nossa relação com a origem, a família e aspectos relacionados à nossa infância? Nunca iremos regredir em termos de humor ou emocionais? Ou mesmo nunca seremos saudosistas?

O mesmo tipo de questionamento se aplica ao Sol. Como ele nunca fica retrógrado, significa que nunca teremos impedimentos ou dificuldades para expressarmos nossa essência e nosso sentido de identificação?

Nas direções primárias e secundárias

Da mesma forma, autores que fundamentaram, praticaram ou criaram as técnicas de métodos de predições mundialmente estudadas não dão às direções pré-natais ou conversas (retrógradas) diferenças interpretativas pelo tipo de movimento dos promissores.

  • Por que nunca perceberam, se isto é relativamente fácil de se verificar?
  • Por que vemos direções pré-natais em Astrologia criarem eventos completamente novos e não revisionistas?
  • Por que vemos constantemente direção diretas e progredidas levarem a retomadas, impedimentos, adversidades e repetições?

A pergunta principal é: por que a questão dos retrógrados somente funcionaria com trânsitos astrológicos e principalmente de Mercúrio?

Nuvens, planetas e espaço

A questionável importância dos movimentos retrógrados

Vemos as citações sobre os movimentos contrários ao Zodíaco em várias obras de Astrologia - mesmo nas mais clássicas -, mas nunca com a relevância e importância que se dá nos dias atuais.

Até meados do século XX, a retrogradação e a interpretação generalizada e isolada deste movimento não era levada em conta por astrólogos profissionais. Entretanto, um livro chamado "Planetas Retrógrados e Reencarnação", publicado em 1993 por Donald H. Yott, foi o responsável por espalhar a má fama dos movimentos retrógrados entre as pessoas que não estudam Astrologia. O mesmo autor escreveu outros livros sobre vidas passadas.

Devemos sempre lembrar que conceitos metafísicos e religiosos, apesar de serem opiniões e apresentarem modelos para reflexões, possuem dificuldade com a verificabilidade. Ainda, até onde sabemos, não existe como controlar e verificar este tipo de informação além da subjetividade das experiências.

Nos dias atuais, não é possível verificar ou fazer afirmações concretas de que existe vida após a morte, por exemplo. Pelo menos não à respeito da vida como a conhecemos.

Muitos astrólogos contemporâneos começaram a interpretar a vida das pessoas por meio deste viés: se um astro está retrográdo em seu mapa, isto significaria um "karma", algo que você errou em vidas passadas e que precisa arrumar nesta vida. Este tipo de abordagem tornou-se muito comum, inclusive no Brasil.

Certa vez, uma pessoa foi ao famoso programa de entrevistas do Jô Soares para falar de Astrologia, vidas passadas e planetas retrógrados - e disse ao vivo: "Itamar Franco já foi presidente em vidas passadas e errou porque ele tem Saturno retrógrado".

Logo, Jô perguntou: "Não me diga?! E de que país? Poderia nos dizer?" E a pessoa respondeu: "da Atlântida". O Jô, que nunca perdia a chance, completou com algo parecido com: "Meu Deus! Se afundou a Atlântida, vai afundar o Brasil também!".

Ou seja, se todo mundo que tem Saturno retrógrado no mapa astral foi presidente de algum país em vidas passadas, então, mais de 36% das pessoas do mundo já foram presidente, erraram e estão "retornando" para tentar arrumar.

A partir desta época, viu-se muita gente interessada no assunto retrógrados e também ampliou-se a banalização do assunto.

Busca por explicações, Astrologia e retrógrados

A busca pela explicação de algo que, de certa forma, nos retira a responsabilidade do que estamos fazendo, é recorrente não somente nos meios da Astrologia. Todos precisamos aplacar um pouco o mal-estar gerado por tantos problemas da contingência humana.

Fluxo intenso em uma cidade à noite

Assim, a busca e o estigma pela explicação dos movimentos retrógrados e sua associação com imprevistos e situações adversas encontrou terreno fértil na sociedade. A Astrologia e seus termos técnicos - durante muito tempo restritos a estudiosos do assunto - começou a se popularizar. Muitas pessoas assumiram que entendiam sobre o assunto, se colocando na posição de determinar o que é e o que não é importante na Astrologia.

Tornou-se muito comum as pessoas perguntarem aos astrólogos: "E os planetas retrógrados em meu mapa astral? Você não vai falar?". Talvez querendo dizer "sua interpretação está incompleta". Ou então, "Como resolver meus retrógrados?".

Nas situações em que não tinham planetas retrógrados em seus mapas, diziam: "mas minha vida só anda para trás! Tem certeza?".

É neste momento que começam a surgir tabelas de planetas retrógrados, que funcionam como almanaques astrológicos individuais ou coletivos. Essas tabelas não levam em consideração nenhuma outra técnica astrológica, apenas indicam momentos de bons ou maus augúrios para se fazer coisas específicas.

Astrólogos profissionais e bem preparados, quando procuram dar aprofundamento em uma análise, em geral, não usam apenas tabelas de retrógrados. Em geral, se apoiam no mapa natal, em trânsitos, técnicas de direções, e muitos outros fatores importantes para uma análise.

Assim, apenas usar uma a informação de retrogradação de forma isolada é arriscado e simplista. O que aconselhamos é que isto seja utilizado de forma conjugada para que aí sim sejam estabelecidos momentos mais oportunos e menos oportunos, em especial em tomadas de decisão importantes.

Tempos e verificabilidade

Outro importante ponto é a verificabilidade. Todos nós já vivemos momentos em que um documento ou um contrato não fica pronto por meses - ou mesmo por anos. A causa dessa demora não poderia ser de fato atribuída a Mercúrio retrógrado, por exemplo, uma vez que seus períodos de retrogradação são pequenos e, assim, não poderiam justificar tanto atraso.

Mesmo quando fazemos algo importante, relacionado à comunicação, assinatura de contratos ou documentos, por exemplo, durante um período em que Mercúrio está retrógrado - esse não pode ser considerado um indicador de fracasso se apenas analisado de forma isolada. Isso porque outros métodos preditivos podem ter marcadores de sucesso - assim, o fracasso pode simplesmente não acontecer. Por isso, tanto o mapa astral quanto outras técnicas de análise são extremamente importantes no contexto desses períodos.

Entretanto, para os defensores da "catástrofe" associada aos períodos de retrogradação, sempre é possível dar um jeitinho na explicação, dizendo: "ah, sim, teve sucesso mesmo com Mercúrio retrógrado porque de alguma forma houve uma revisão sem que você percebesse".

Outro exemplo interessante é o de Vênus, que fica apenas 7% do tempo retrógrado. Isto significa que todas as pessoas que nasceram nos 93% do tempo em que o astro segue em movimento direto não devem apresentar impedimentos, dificuldades, revisionismos, karma, erros - e que apenas as que nasceram nos 7% do tempo de retrogradação de Vênus enfrentam adversidades, voltam a se relacionar com as mesmas pessoas ou com mesmo os mesmos tipos psicológicos?

A contradição dessa analogia é aparente, uma vez que a maioria das pessoas parece vivenciar desencontros em termos afetivos, e estão sujeitas a repetir modelos, a tentar de novo, a dar uma chance nova a alguém ou mesmo ficam de de olho nas redes sociais em alguém que namoraram quando eram mais jovens.

A psicanálise, por exemplo, tem outra justificativa - que não envolve planetas retrógrados. Estudos da área indicam que existe uma propensão difícil de ser superada, que faz com que as pessoas voltem a repetir os mesmo modelos o tempo todo.

Casal conversando em uma sala em frente à janela

Continuando a reflexão sobre Vênus: se sua retrógradação no céu de fato significar um momento difícil para as questões afetivas, nos levando a rever nossas relações e discutirmos o relacionamento (as famosas DRs), então esses momentos devem, por uma questão de lógica, ser raros, afinal, Vênus permanece em movimento retrógrado apenas 7% do tempo. Entretanto, isto parece não ser compatível com o que se verifica diariamente em nossas vidas!

Digamos que a maior parte do tempo, se considerarmos as tabelas de retrogradação corretas em termos interpretativos, assim como as dicas e sugestões apresentadas, estas funcionarão de maneira independente do mapa natal e dos métodos conjugados de predição. Devemos, então, entender que as questões afetivas e o prazer estão, na maior parte das vezes, beneficiados pelo movimento direto e, portanto, vão avançar!

Com isso, podemos nos perguntar:

  • Estamos vendo isto no dia a dia?
  • Vivenciamos isto ao longo de nossos anos de vida?
  • Ao consultar pessoas ao redor, estamos verificando isto?

Conjugando sinais

Digamos que, ao mesmo tempo, as retrogradações ou movimentos diretos coincidem com outros fenômenos.

Para os astros externos:

Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão são astros externos estudados em Astrologia. Quando estão em oposição ao Sol (a 180 graus, geocentricamente falando), atingem seu brilho aparente máximo. Isso indica que estão retrógrados - e sempre chamaram atenção das sociedades antigas e de observadores por essa mudança na aparência.

Assim, os movimentos de retrogradação eram associados aos pontos cruciais de ciclo (oposição) em estudos coletivos. A conjugação destes dois sinais evidenciava que o movimento de retrogradação de um astro longe da Terra era um sinal de um momento importante e culminante de um ciclo.

Oposições não são aspectos consonantes em Astrologia, daí, a ideia de se associar a retrogradação a momentos de tensão.

Entretanto, não é a retrogradação que cria isso, mas, sim, o ângulo de 180 graus, considerado dissonante. Um astro lento / externo pode estar retrogradando e não estar em oposição.

Para os astros internos:

Mercúrio e Vênus são astros internos. Como a conjunção superior de Mercúrio e Vênus ocorre com ambos os astros no sentido direto, alguns astrólogos entendem que ela tem um significado positivo, relacionando-a com fatores benéficos. Note que aqui, novamente, associam-se palavras e não sentidos.

Da mesma forma, a conjunção inferior é interpretada como uma posição inferior - e ela se dá com Mercúrio ou Vênus retrógrados.

Um instigante convite ao revisionismo

O objetivo deste artigo foi levantar algumas reflexões para pensarmos a Astrologia e suas contribuições de forma mais aprofundada, separando os excessos das possibilidades reais que se possam afirmar a respeito. Essas reflexões não se aplicam apenas ao - atualmente famoso - assunto sobre planetas retrógrados, mas como o estudo da Astrologia como um todo.

Sempre que pudermos, devemos ter o pensamento crítico como parceiro de atividades em nosso dia a dia, além de fazer um resgate das bases do conhecimento. Alimentar o conceito de transdisciplina, no mundo atual, também é algo bastante importante e que nos permite fazer um realinhamento mais correto das coisas em meio a um turbilhão de informações desencontradas.

Se há algo de bom que o atual contexto apresentado a respeito da interpretação dos astros retrógrados pode nos fornecer, é justamente esta aura de revisionismo. Ao que tudo indica, esse processo pode (e deve) ser feito a todo instante, não apenas em determinados momentos e não apenas com a Astrologia, mas com as nossas vidas como um todo.

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sexta-feira, 21 de junho de 2024 | 12:06